Cânhamo

A Nova Zelândia aumenta o limite de THC do cânhamo para 1%

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A Nova Zelândia aumentou o limite legal de THC no cânhamo de 0,35% para 1%.

Estas alterações revogam o regulamento de 2006 relativo ao cânhamo industrial e substituem um quadro baseado na concessão de licenças por um sistema de notificação mais simples. Os agricultores já não precisam da autorização das autoridades sanitárias para cultivar cânhamo. Passam agora a ter apenas de notificar a polícia e o Ministério das Indústrias Primárias (MPI) da sua intenção antes de procederem à plantação.

«É uma notícia fantástica para os produtores de cânhamo industrial, agora simplesmente designado por “cânhamo” em Aotearoa, Nova Zelândia», afirmou Richard Barge, presidente da New Zealand Hemp Industries Association (NZHIA).

Limite de THC aumentado para reduzir os riscos para os produtores

Nos termos das novas regras, o cânhamo é agora definido como uma planta de Cannabis sativa que não contenha mais de 1 % de THC em peso seco. Os representantes do setor afirmam que este limite mais elevado reduzirá consideravelmente o risco de as culturas excederem involuntariamente os limites legais.

O novo quadro abre também o cultivo do cânhamo a todas as regiões do país e elimina vários obstáculos administrativos que anteriormente desencorajavam a participação neste setor.

Segundo o Sr. Barge, estas reformas contribuem para reposicionar o cânhamo como «uma cultura agrícola legítima com forte potencial nas áreas das sementes, das fibras, da alimentação, da indústria transformadora, da construção e do desenvolvimento de bioprodutos sustentáveis».

Este pacote de reformas reforça igualmente os laços entre o setor neozelandês da canábis medicinal e a indústria do cânhamo.

No âmbito deste novo regime, a biomassa de cânhamo, incluindo folhas e flores, pode ser fornecida aos operadores de canábis medicinal autorizados.

«A colaboração entre os setores do cânhamo e da canábis medicinal é um avanço importante e positivo», afirmou Sally King, diretora executiva do New Zealand Medicinal Cannabis Council. «Ainda existem oportunidades significativas em torno da utilização integral da planta, nomeadamente ao permitir, no futuro, a utilização das folhas e flores de cânhamo em produtos medicinais e de bem-estar destinados tanto a seres humanos como a animais.»

As associações profissionais consideram que estas novas regras poderão contribuir para atrair investimentos em infraestruturas de transformação e na fabricação de produtos de valor acrescentado à base de fibras, sementes e biomassa de cânhamo.

As restrições relativas às flores, raízes e alimentação animal mantêm-se em vigor

Apesar da desregulamentação do cultivo, continuam a aplicar-se restrições significativas.

O governo define agora um produto à base de cânhamo como sendo, principalmente, um produto fabricado a partir de sementes de cânhamo, caules de cânhamo ou produtos alimentares à base de sementes de cânhamo. Consequentemente, a utilização comercial das folhas, flores e raízes continua a ser restrita fora do âmbito da canábis medicinal ou dos circuitos de exportação.

Os defensores do setor defendem há muito que estas restrições impedem a plena utilização da planta e limitam o desenvolvimento de produtos de bem-estar e industriais com maior valor acrescentado.

Outra questão importante ainda por resolver diz respeito à alimentação animal. O MPI reafirmou recentemente que os ingredientes derivados do cânhamo continuam sujeitos à regulamentação prevista na lei sobre compostos agrícolas e medicamentos veterinários. Isto significa que os produtos à base de cânhamo não podem ser livremente incorporados na alimentação do gado, na alimentação de animais de companhia ou noutros compostos agrícolas sem autorização regulamentar.

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