Cannabis na República Checa

República Checa: lojas de CBD que vendem canabinóides sintéticos na mira da polícia

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A República Checa poderá em breve conferir à polícia novos poderes para encerrar imediatamente os estabelecimentos comerciais suspeitos de vender substâncias psicoativas perigosas.

Anunciado pela imprensa local e divulgado por Cannabisindustrie.nl, a proposta de lei apoiada pelo primeiro-ministro Andrej Babiš permitiria às forças da ordem encerrar um estabelecimento por um período que pode ir até 14 dias, tendo na mira, nomeadamente, as lojas de CBD que comercializam canabinóides sintéticos.

Apresentada na Câmara dos Deputados por responsáveis políticos da coligação, esta proposta visa, em particular, as «lojas de canábis» que se têm multiplicado nas grandes cidades checas. Apesar da sua imagem de marca centrada na canábis, as autoridades afirmam que alguns destes pontos de venda oferecem principalmente produtos psicoativos sintéticos ou semissintéticos, por vezes apresentados sob a forma de rebuçados ou bolachas.

A polícia poderá encerrar as lojas imediatamente

Nos termos da alteração proposta, os agentes da polícia já não se limitariam a confiscar os produtos considerados perigosos. Poderiam encerrar temporariamente todo o estabelecimento. Segundo o governo, os procedimentos existentes são demasiado lentos para impedir eficazmente os comerciantes suspeitos de venderem repetidamente substâncias proibidas.

«O objetivo é combater a venda ilegal de substâncias proibidas. Atualmente, a prática habitual é que a polícia intervenha, eventualmente acompanhada pela Autoridade de Inspeção Alimentar ou pela Autoridade de Inspeção do Comércio, apreenda a mercadoria e, quando chega ao fim da rua, os vendedores já tenham recomeçado a vendê-la», afirmou Boris Šťastný, ministro do Desporto e da Prevenção.

Um encerramento poderá durar até 14 dias, dependendo do risco sanitário, da quantidade de substâncias em causa e da reação do comerciante perante uma primeira ordem para cessar as vendas. Se o perigo presumido se revelasse posteriormente infundado, a polícia seria obrigada a reabrir o estabelecimento. Os proprietários também poderão contestar a decisão no prazo de três dias.

Esta iniciativa surge na sequência das críticas repetidas de Andrej Babiš aos comerciantes que vendem produtos psicoativos sob formas apelativas.

«Vendem produtos que se assemelham a bolachas ou rebuçados, mas que, na realidade, colocam a vida em perigo, pois contêm substâncias psicotrópicas. É um verdadeiro escândalo. Quero dizer-vos que vou atacar este problema e, acreditem em mim, não vou fazer as coisas pela metade», afirmou no início deste ano.

Uma medida que suscita questões constitucionais

Os novos poderes que poderão ser concedidos à polícia já estão a suscitar oposição política. Os autores do projeto de lei reconhecem que o encerramento administrativo de estabelecimentos violaria os direitos de propriedade e os direitos comerciais protegidos pela Constituição, mas argumentam que a medida se justifica pela proteção da saúde pública e é acompanhada de um mecanismo de recurso.

Štěpán Slovák, deputado do partido ODS, considera que os poderes propostos são demasiado amplos.

«Não defendo, de forma alguma, os estabelecimentos que vendem produtos perigosos para a saúde, mas considero que os poderes propostos à polícia são demasiado amplos», afirmou.

Slovák defende, em vez disso, um encerramento de emergência limitado a 48 horas, findo o qual a responsabilidade seria transferida para uma autoridade especializada ou para um tribunal.

Os canabinóides sintéticos no centro das preocupações checas

Este debate político insere-se num contexto marcado por casos relatados de intoxicações envolvendo canabinóides sintéticos e kratom.

De acordo com os dados da polícia checa citados pelos meios de comunicação locais, 235 casos de intoxicação foram registados durante os primeiros cinco meses de 2026, dos quais cerca de um em cada dez resultou em morte. Os canabinóides sintéticos e o kratom estiveram na origem de 161 desses casos, incluindo quatro óbitos.

Os serviços de emergência de Praga também relataram ter atendido pacientes cada vez mais jovens na sequência de intoxicações relacionadas com canabinóides, sendo que o paciente mais jovem mencionado no ano passado tinha apenas 11 anos.

Os canabinóides sintéticos constituem uma categoria vasta e em constante evolução de compostos produzidos em laboratório que atuam sobre os recetores canabinóides. Os seus perfis farmacológicos podem diferir consideravelmente dos do THC, o que torna os seus efeitos e riscos particularmente difíceis de antecipar para os consumidores.

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