Cannabis nas Caraíbas

Debate parlamentar intensifica-se sobre a legalização da canábis em Sint-Maarten

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Uma reunião da comissão parlamentar em Philipsburg, a 9 de abril, deu um novo impulso político à proposta de legalização da cannabis e ao quadro regulamentar previsto em Sint-Maarten, enquanto os legisladores continuavam a ponderar as implicações económicas, sanitárias e de governação de um futuro mercado legal.

A sessão, presidida pela Comissão Parlamentar da Agricultura, Pescas e Pecuária, seguiu-se a uma reunião anterior, realizada a 13 de março. No centro das discussões esteve um plano pormenorizado apresentado pela Native Nations SXM, a organização escolhida pelo governo para ajudar a conceber o futuro sistema de canábis da ilha.

O debate revelou tanto um interesse crescente no potencial económico do projeto como preocupações persistentes sobre a forma como o sector seria estruturado, quem beneficiaria e como os riscos seriam geridos.

Um roteiro conduzido pelo governo

O quadro proposto tem origem no programa governamental 2020-2024 de Sint-Maarten, que identificou a regulamentação da canábis para fins médicos, científicos, recreativos e religiosos como uma prioridade nacional. A iniciativa também consta do plano de recuperação económica da ilha, onde a cannabis é listada como um dos seis sectores de exportação de turismo visados.

Após um concurso em setembro de 2022, a Native Nations SXM recebeu o mandato de desenvolver um roteiro abrangente para a legalização, incluindo pesquisa, redação legislativa, estruturas regulatórias e cronogramas de implementação.

Um elemento-chave do acordo é que o governo não pagaria os custos iniciais. Em troca, as Nações Nativas receberiam uma concessão de 10 anos para operar segmentos estratégicos da indústria, como o cultivo, processamento, testes e distribuição, comprometendo-se a contribuir com $750.000 por ano para uma fundação de apoio a iniciativas sociais, económicas e ambientais.

A estrutura proposta também exige a criação de uma Autoridade de Supervisão da Cannabis, conformidade com os requisitos anti-lavagem de dinheiro (AML) e combate ao financiamento do terrorismo (CFT), e um sistema de rastreabilidade total da semente à venda. As autoridades disseram que essas medidas foram desenvolvidas em consulta com o Banco Central de Curaçao e St Maarten.

O turismo é visto como o principal motor económico

Grande parte do crescimento projetado do mercado está ligado ao intenso tráfego turístico da ilha e não apenas à procura local. Saint-Martin, que tem cerca de 100.000 habitantes espalhados pelos dois lados da ilha, recebe mais de dois milhões de visitantes todos os anos.

Segundo a Native Nations, o modelo proposto estima que cerca de 28% dos turistas poderão consumir canábis, com base em dados comparativos de destinos como o Nevada e os Países Baixos.

Clifton Brown, representante da Native Nations Cannabis SXM, disse aos legisladores que o objetivo não era criar um novo consumo, mas formalizar um mercado existente. Argumentou que a questão central é saber se a atividade canábica continuará a ser clandestina ou se passará a ser regulamentada, transparente e tributável.

Agricultores no centro da cadeia de abastecimento proposta

A agricultura tem estado no centro das discussões parlamentares. O quadro propõe um modelo híbrido em que o cultivo ao ar livre seria gerido por agricultores locais que operam como empresários, apoiados por acordos de compra garantida e pela possibilidade de rotação de culturas a par da produção alimentar.

Por outro lado, a cultivo de interior seria centralizado e poderia gerar cerca de 250 empregos, com empregados trabalhando diretamente para as Nações Nativas.

Os legisladores questionaram se essa estrutura ofereceria autonomia real aos agricultores ou criaria dependência de um único operador centralizado. As autoridades confirmaram que o cultivo comercial em casa não seria permitido, embora o cultivo pessoal limitado pudesse ser permitido sob limites estritos.

Brown sublinhou que o plano inclui vias de acesso a licenças, terras e participação agrícola para garantir que os agricultores locais se tornem os principais beneficiários e não meros espectadores.

As ambições de exportação e o desafio das GMP da UE

Para além do abastecimento interno, o plano prevê que Sint-Maarten se posicione como um centro regional, particularmente para produtos CBD. Foram identificadas oportunidades imediatas em territórios vizinhos como Saint-Martin francês, Saint-Barthélemy, Martinica e Guadalupe, onde os derivados de canábis já estão regulamentados.

As ambições de exportação a longo prazo estendem-se à Europa, embora isso exija o cumprimento das normas de Boas Práticas de Fabrico da UE (EU-GMP). A Native Nations disse que forneceria programas de treinamento e apoio de infraestrutura para ajudar os produtores locais a atender a esses requisitos.

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