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Nigéria aproxima-se da legalização da canábis medicinal

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Legalização da canábis medicinal na Nigéria
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a Nigéria deverá juntar-se em breve à lista crescente de países africanos que legalizaram a canábis medicinal e a produção industrial de cânhamo. De acordo com os meios de comunicação social locais, a Assembleia Nacional do país está atualmente a elaborar legislação para criar um quadro jurídico para o cultivo e utilização de canábis para fins médicos, científicos e industriais.

O debate foi recentemente reacendido pelo ex-senador Athan Nneji Achonu, um membro proeminente do Partido Trabalhista, que revelou que estavam em curso discussões para estabelecer uma indústria legal de cannabis capaz de atrair investimentos e gerar novas oportunidades económicas.

Os apoiantes da reforma dizem que a Nigéria corre o risco de ser deixada para trás à medida que o mercado global de canábis continua a expandir-se e mais países adoptam uma produção regulamentada.

Oportunidades económicas no centro do projeto

Para os defensores da reforma, a criação de uma indústria de canábis medical e industrial representa sobretudo, uma oportunidade económica. Com as suas vastas terras agrícolas, clima favorável e peso demográfico, a Nigéria teria muitos trunfos à sua disposição para se estabelecer num mercado global em rápida expansão.

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Os promotores do projeto acreditam que a produção legal e supervisionada poderia gerar milhares de empregos, desde o cultivo à transformação, passando pela investigação, logística e indústria farmacêutica. Esperam também atrair investimentos estrangeiros em sectores estratégicos como a agricultura e a saúde.

O texto em preparação prevê um sistema de licenças para produtores, transformadores e investigadores, com um controlo rigoroso da produção e da distribuição. O objetivo declarado é desenvolver uma nova atividade económica, reservando a utilização da cannabis para aplicações médicas, científicas e industriais.

Em apoio do seu argumento, os apoiantes da reforma apontam uma série de exemplos internacionais. Países como o Canadá, a Alemanha, Israel, Lesoto e Zimbabué já criaram quadros regulamentares que permitem a produção de canábis para fins medicinais ou industriais.

Na sua opinião, estas experiências demonstram que é possível conciliar desenvolvimento económico, investigação científica e controlo dos riscos para a saúde. Com vários países africanos a apostar agora na exportação de canábis medicinal, a Nigéria poderá também tornar-se um ator importante no sector.

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Uma reforma que surge regularmente no debate público

Esta iniciativa não é a primeira tentativa de reforma do canábis na Nigéria. Já foram apresentadas várias propostas nos últimos anos para autorizar a cultura de cânhamo industrial ou para permitir certas utilizações médicas sob controlo governamental.

Até à data, porém, nenhuma delas resultou numa alteração da legislação. A canábis continua a ser proibida no país e o seu cultivo, posse ou tráfico continuam a ser punidos com pesadas sanções penais.

Preocupações persistentes com a saúde e a segurança públicas

Apesar das perspectivas económicas apresentadas pelos seus promotores, o projeto continua a suscitar fortes reservas. Os opositores receiam que a legalização, mesmo que limitada a utilizações médicas e industriais, possa conduzir a um aumento do consumo problemático, da dependência ou de certas perturbações da saúde mental, na ausência de controlos eficazes.

As organizações envolvidas na luta contra a droga alertam igualmente para os riscos de desvio para o mercado ilícito e para os desafios de segurança que poderiam ser colocados pela emergência de uma nova indústria regulamentada.

Estas preocupações são particularmente prementes num país que se debate há vários anos com os problemas do tráfico de droga e do consumo de droga entre os jovens. Até à data, as autoridades nigerianas têm mantido uma linha repressiva sobre a questão da canábis.

Os apoiantes do projeto respondem, no entanto, que a proposta não pretende de forma alguma autorizar o uso recreativo, mas sim criar um quadro estritamente supervisionado destinado a apoiar a investigação, a saúde e a economia.

Enquanto as discussões prosseguem na Assembleia Nacional, o debate continua em aberto. Seja qual for o resultado, ilustra o interesse crescente dos países africanos pelas oportunidades oferecidas pela indústria mundial da canábis e pelas questões regulamentares que esta suscita.

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